domingo, 29 de junho de 2008
ACTO XVII
- Da outra vez ouvi a D.Margarida a falar com o filho.
- Sim, e então?
- Não sei... foi-me desagradável de ouvir tanta frieza.
- Conta! O que ouviste?
Olha, Rui, eu já te tinha dito para não saíres de casa sem arrumar o teu quarto. Mas tu fazes-te de surdo para me enervar!
Cheguei à cozinha, e estava tudo em pantanas! Parecia a cozinha de um restaurante chinês! Tenho sempre de arrumar o que tu desarrumas; limpar a tua merda; lavar a tua roupa...
Sou tua mãe! Não sou tua criada.
Vivo 12 horas do meu dia fechada naquele maldito escritório, a levar com o trabalho que os senhores engenheiros é que deviam fazer. Mas não... São doutores, então andam ali a passear o fato.
É isso que eles são! Um fato e gravata! Não há mais nada lá dentro. Impressionante...
Chego a casa estafada, e tu não estás em casa, para variar. Sempre na rua!
Ainda tenho de ir ao congelador, tirar alguma coisa para o jantar, quando tu podias perfeitamente tê-lo feito, sem ser preciso pedir-te.
Entras porta a dentro, já eu estou à mesa, nem "boa noite", nem "vai à merda".
Comes, levantas-te, e vais para o café.
A tua vida são os teus amigos. Porque não vais morar com eles, então? Se são assim tão importantes, com certeza estavas melhor com eles!
Chegas a casa tarde e a más horas; deixas uma pessoa preocupada, aflita, sem saber por onde andas, e nem dás uma satisfação.
Afinal eu sou o quê? Tua escrava? Sou tua mãe! Carreguei-te aqui dentro 9 meses, criei-te, dei-te tudo, e acho que mereço um pouco mais de respeito e consideração!
Mas não... Sou velha, não sirvo para nada. Mas quando precisas, já sabes vir cá chorar no meu colo, não é, Rui?
E agora é isto. Nem choras, nem gritas, nem gemes sequer.
Fizeste o que sempre quiseste, e está aqui o resultado. Por isso não me culpes!
Nunca me culpes por isto Rui!!!
Porque mesmo sabendo que não tenho a culpa, vou sentir-me culpada até à hora da minha morte!
Odeio-te!
- E depois? Que fez a D.Margarida?
- Nada... Acabou de limpar a campa, e foi-se embora.
- Coitada...perder assim alguém não é fácil...
- Pois. Ouvi dizer que foi depois do Portugal-Grécia. Já estavam todos com os copos, e pegaram no carro...
domingo, 4 de maio de 2008
ACTO XVI
Desço aquelas escadas, novamente.
Que merda! Sempre os mesmos degraus, sempre, sempre, sempre!
segunda-feira, 24 de março de 2008
ACTO XV
(Como sempre, o relevante é a música, e não o vídeo que a acompanha.)
Amor. Definitivamente decidi não me suicidar. Quero poupar todos de interrogações e dúvidas sobre o porquê de tal acto.
«não era pessoa para matar-se», «foi sempre boa rapariga», «tinha uma vida feliz», «tinha uma família e amigos que a amavam».
Como vês, amor, preocupei-me antecipadamente com o que seria a tua aflição e esforço que terias de fazer para repetires a frase «não percebo».
Poupo-te, assim, os remorsos de saberes que eu não suportava mais resumir-me à minha própria insignificância.
Como vês, amor, esta é mesmo uma boa acção.
Como ias tu aguentar, amor, sozinho, aquela outra raça dos meus amigos pseudo intelectuais e sem-rumo, ou simplesmente desconhecidos para ti, a dizer-te que desde há uns tempos «pressentiam» que eu andava deprimida?
«andava ansiosa, perturbada, a responsabilidade, o peso de qualquer coisa que não sabemos, atingiram-na».
Etc.
E tu escutavas, amor, como quem não sabe, e respondias com mais interrogações ainda, como se não soubesses que eu ia dar um tiro na boca por isso; pelo simples peso das coisas que têm de ser feitas.
Sabias que não era por isso. Mas sabias também que não era por eu ter de cozinhar para ti, aquando as vezes em que quis o contrário. E não ia suicidar-me, também, por ter de rever os meus comportamentos em função daquilo tudo em que acreditas, para me tentar encaixar em ti.
Que motivos teria eu para me suicidar?
Talvez pensasses «a escrita». A escrita era a sua fuga, e não mais escreveu desde que eu deixei de a ler. Mas não. Não era por isso que ia suicidar-se.
Como vês, amor, estou a poupar-te a tantas interrogações...
Definitivamente decidi não me suicidar mesmo. Nunca aceitaria que passasses a vida a viver na dúvida sobre o meu destino, sobre se a Alma existe ou não, sobre o Além, sobre a outra vida em que sempre acreditei, e que para ti nunca existiu.
Só que nestas alturas, até os incrédulos se interrogam. E interrogares-te sobre se o meu fim era misturar os meus ossos pura e simplesmente com a terra e nada mais, ou se estaria a ser feliz em outro lado... isso ia mirrar-te os dias. Ia fazer-te sofrer.
Estás a ver agora, amor, porque decidi não me suicidar?
É que se algum dia descobrisses que Deus existe, sentir-me-ias viva, e nunca mais serias livre.
Como vês, até nisso pensei.
Definitivamente decidi não me suicidar. Parei então de pensar, e comecei a amar-te.
(Um muito obrigada à existência de A.S.Gomes)
Amor. Definitivamente decidi não me suicidar. Quero poupar todos de interrogações e dúvidas sobre o porquê de tal acto.
«não era pessoa para matar-se», «foi sempre boa rapariga», «tinha uma vida feliz», «tinha uma família e amigos que a amavam».
Como vês, amor, preocupei-me antecipadamente com o que seria a tua aflição e esforço que terias de fazer para repetires a frase «não percebo».
Poupo-te, assim, os remorsos de saberes que eu não suportava mais resumir-me à minha própria insignificância.
Como vês, amor, esta é mesmo uma boa acção.
Como ias tu aguentar, amor, sozinho, aquela outra raça dos meus amigos pseudo intelectuais e sem-rumo, ou simplesmente desconhecidos para ti, a dizer-te que desde há uns tempos «pressentiam» que eu andava deprimida?
«andava ansiosa, perturbada, a responsabilidade, o peso de qualquer coisa que não sabemos, atingiram-na».
Etc.
E tu escutavas, amor, como quem não sabe, e respondias com mais interrogações ainda, como se não soubesses que eu ia dar um tiro na boca por isso; pelo simples peso das coisas que têm de ser feitas.
Sabias que não era por isso. Mas sabias também que não era por eu ter de cozinhar para ti, aquando as vezes em que quis o contrário. E não ia suicidar-me, também, por ter de rever os meus comportamentos em função daquilo tudo em que acreditas, para me tentar encaixar em ti.
Que motivos teria eu para me suicidar?
Talvez pensasses «a escrita». A escrita era a sua fuga, e não mais escreveu desde que eu deixei de a ler. Mas não. Não era por isso que ia suicidar-se.
Como vês, amor, estou a poupar-te a tantas interrogações...
Definitivamente decidi não me suicidar mesmo. Nunca aceitaria que passasses a vida a viver na dúvida sobre o meu destino, sobre se a Alma existe ou não, sobre o Além, sobre a outra vida em que sempre acreditei, e que para ti nunca existiu.
Só que nestas alturas, até os incrédulos se interrogam. E interrogares-te sobre se o meu fim era misturar os meus ossos pura e simplesmente com a terra e nada mais, ou se estaria a ser feliz em outro lado... isso ia mirrar-te os dias. Ia fazer-te sofrer.
Estás a ver agora, amor, porque decidi não me suicidar?
É que se algum dia descobrisses que Deus existe, sentir-me-ias viva, e nunca mais serias livre.
Como vês, até nisso pensei.
Definitivamente decidi não me suicidar. Parei então de pensar, e comecei a amar-te.
(Um muito obrigada à existência de A.S.Gomes)
sábado, 16 de fevereiro de 2008
ACTO XIV
«CRÓNICA 2007»
Após alguns meses escondida por trás de uma aparente ausência literária, volto às palavras escritas em momentos solitários, que me sabem tanto a Céu, como a Inferno.
Regresso então às palavras, ou às prosas falsas como diz o meu caro Luís (Nightspirit). Ou às crónicas humorísticas como descreve o meu fiel Martins. Ou às mensagens (inúteis, diria) como enunciou o meu querido "colega" Lord of Erewhon.
A todos um enorme agradecimento por continuarem a ler-me, e acima de tudo a criticar-me.
2007 acabou.
Bom ou mau ano?
Depende da perspectiva.
Em 2007 a situação no Iraque e Afeganistão aumentou-nos o ódio aos EUA.
Felizmente, o ódio aos EUA aumentaria mesmo que, entretanto, Bagdade se confundisse com o Mónaco.
Em 2007 a comoção a pretexto de uma menina inglesa, transformou cada cidadão num potencial abusador de crianças.
Ainda bem que continuo a lutar por um cargo na Assistência Social, senão seria um desses cidadãos.
Em 2007 Cristiano Ronaldo impôs-se como o embaixador simbólico de Portugal na Inglaterra.
Felizmente, quando vou às compras em Lancaster perguntam-me sempre se sou poláca, ou grega.
Em 2007 um grupo de activistas invadiu, e destruiu, uma plantação de milho, mostrando os perigos dos alimentos transgénicos.
Ora, ainda bem que os métodos e discurso dos activistas mostraram que há perigos bem mais graves.
Em 2007 o nosso Governo aprovou a lei do processo penal, que reduz (para não dizer que erradica) a prisão preventiva.
Felizmente que estou a viver fora do meu próprio país (que amo), onde durante as minhas férias de um "mata-saudades" não escapo ao pequeno Brasil que tão bem incentivamos, dia-a-dia.
E isto, não é pessimismo, caros leitores!
É, sim, optimismo retroactivo.
Até breve.
Após alguns meses escondida por trás de uma aparente ausência literária, volto às palavras escritas em momentos solitários, que me sabem tanto a Céu, como a Inferno.
Regresso então às palavras, ou às prosas falsas como diz o meu caro Luís (Nightspirit). Ou às crónicas humorísticas como descreve o meu fiel Martins. Ou às mensagens (inúteis, diria) como enunciou o meu querido "colega" Lord of Erewhon.
A todos um enorme agradecimento por continuarem a ler-me, e acima de tudo a criticar-me.
2007 acabou.
Bom ou mau ano?
Depende da perspectiva.
Em 2007 a situação no Iraque e Afeganistão aumentou-nos o ódio aos EUA.
Felizmente, o ódio aos EUA aumentaria mesmo que, entretanto, Bagdade se confundisse com o Mónaco.
Em 2007 a comoção a pretexto de uma menina inglesa, transformou cada cidadão num potencial abusador de crianças.
Ainda bem que continuo a lutar por um cargo na Assistência Social, senão seria um desses cidadãos.
Em 2007 Cristiano Ronaldo impôs-se como o embaixador simbólico de Portugal na Inglaterra.
Felizmente, quando vou às compras em Lancaster perguntam-me sempre se sou poláca, ou grega.
Em 2007 um grupo de activistas invadiu, e destruiu, uma plantação de milho, mostrando os perigos dos alimentos transgénicos.
Ora, ainda bem que os métodos e discurso dos activistas mostraram que há perigos bem mais graves.
Em 2007 o nosso Governo aprovou a lei do processo penal, que reduz (para não dizer que erradica) a prisão preventiva.
Felizmente que estou a viver fora do meu próprio país (que amo), onde durante as minhas férias de um "mata-saudades" não escapo ao pequeno Brasil que tão bem incentivamos, dia-a-dia.
E isto, não é pessimismo, caros leitores!
É, sim, optimismo retroactivo.
Até breve.
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