segunda-feira, 19 de março de 2012

Acto XXXIII







Naquele dia ambíguo de cor,
(de dor em nós)
Um pássaro cantou mais alto.
Segundos depois, 

Uma fotografia estranha afundou-me neste poço

Vazio de cor
(de ardor, em mim).



Pensei que a solidão nos unisse.



O relógio antigo batia as zero,
E zero era a cor
(com rancor, em ti).
Horas depois uma náusea eterna
afogou-me num lago de fria dor
(sem amor, em nós)



Pensei que o medo nos unisse.



Fomos tantos, infinitos,
De um para o outro, só, sem treva
(a treva adormecida, em tu'alma).
Acreditei, confiei, e tu
Com pensamentos foste cegando
(coisas tuas, sem ter calma).



Pensei que a verdade era Eu.



Chegou o dia em que me mataste,
E a morte era o vinho
(que bebeste, em ti).
Durante o velório, a minh'alma fugiu
Para o inferno infinito
(que causaste, em mim).





Pensei que não morrêssemos, nunca.









(E teríamos, tanto, se. )









segunda-feira, 5 de março de 2012

Acto XXXII



    Já passou algum tempo desde a última vez que escrevi aqui coisas…






 

Andei ausente de mim mesma - do meu lado artístico e sensível, até.
Foi um ano estranho, o de 2011, onde muita coisa aconteceu num curto espaço de tempo.


Nunca tiveram a sensação de que quando tudo acontece num curto espaço de tempo, parece que as coisas, afinal, são infinitamente longas?


De Julho a Setembro passaram 2 anos em vez de 2 meses. Em Dezembro passaram décadas, em vez de semanas...

Sinto-me velha, mas não aquele tipo de velho-trapo. É mais como uma uva madura, boa para vinho tinto.


Apetece-me estar numa pipa fechada durante uns bons meses ou anos, para sair de lá melhor do que como entrei.




De repente, estou em 2012… o ano em que o mundo acaba. Como acabou no ano do Diabo (1999), e na passagem para o ano 2000. (Ah! E entretanto acabou mais um par de vezes, segundo um qualquer fanático religioso, chamado de não-sei-quê…)


Não tenho medo. 


Deixei de ter medo. O meu único medo é o de ter medo, por isso, medo jamais terei!

Maynard James Keenan escreveu, «não há amor no medo» … e eu acrescento, nem vida!





Estou farta do medo. Não do meu, do nosso.
Prefiro olhar para cima.