sexta-feira, 25 de maio de 2007

ACTO VII




A razão pela qual sabes que existes hoje, é por saberes que amanhã podes não existir...

...disse-me ele, enquanto desaparecia ontem.


Somos apenas um momento na vida!
Vamos ser reis nem que seja por um só dia!

É tão mais complexo que isso...
Tão mais...

Não ter TUDO num agora é como não ter NADA a vida inteira.... insatisfação!


...é por isso que se sonha?...

sábado, 19 de maio de 2007

ACTO VI

«CITAÇÃO»


Vivo sempre no presente.
O futuro, não o conheço.
O passado, já o não tenho.
Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada.

Não tenho esperanças nem saudades.
Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade?
Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir.
Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim.

O meu passado é tudo quanto não consegui ser.
Nem as sensações de momentos idos me são saudosas:
o que se sente exige o momento;
passado este, há um virar de página e a história continua...

...mas não o texto.


Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'






(Jethro Tull - "Living in the past")

terça-feira, 15 de maio de 2007

ACTO V

Passeio por um caminho solitário.
Desfruto do ar, do sol, dos pássaros
e do prazer de ser levada pelos meus pés
para onde quer que eles me levem.
De um lado do caminho
encontro um escravo a dormir.
Aproximo-me, e descubro o que está a sonhar.
Pelas suas palavras e expressões adivinho...
Sei o que sonha:

O escravo está a sonhar que é livre.

A expressão no seu rosto reflecte paz e serenidade.
Pergunto-me...
Devo acordá-lo e mostrar-lhe que é apenas um sonho,
para que saiba que continua a ser um escravo?
O devo deixá-lo dormir o tempo todo que puder,
desfruntando, nem que seja apenas em sonhos,
da sua realidade fantasiada?


Se o escravo for eu, não hesitem:

Acordem-me, por favor!




sábado, 12 de maio de 2007

ACTO IV

AMOR COMBATE

«Eu quero estar lá
quando tu tiveres de olhar para trás.

Sempre quero ouvir
aquilo que guardaste para dizer no fim.

Eu não te posso dar
aquilo que nunca tive de ti.

Mas não te vou negar
a visita às ruínas que deixaste em mim.


Se o nosso amor é um combate
então que ganhe a melhor parte.


O chão que pisas sou eu.
O nosso amor morreu.
Quem o matou fui eu.»


quinta-feira, 10 de maio de 2007

ACTO III

Quando cheguei ao aeroporto perguntei pela minha mala.

Disseram-me para esperar.

Cheguei aqui, a lado nenhum, e agora preciso da minha mala.
É simplesmente tudo o que tenho.

Espero.
Espero.
Espero.

Enquanto espero, passa-me tudo pela cabeça.
Não tenho roupas.
Não tenho nada.

O que vou fazer se ficar sem a mala?

Após largas horas, vem alguém ter comigo:
«É esta a sua mala?»

É, sim.
Que alívio!


Conclusão: após 4 horas à espera da mala, o desespero apoderou-se de mim. Tudo por causa duma mala, onde nem um terço da minha vida lá caberia.







quarta-feira, 9 de maio de 2007

ACTO II



«Finalmente tenho algo de valioso só para mim.
Algo meu.
Só meu.»,

pensei eu enquanto olhava a montanha de ouro.


Quem possui quem?

ACTO I

«O Início»


Uma fábula.
Um conto.
Uma história caricata.

Podem ser cem vezes mais fáceis de apreender do que mil explicações teóricas, interpretações psicanalíticas ou explanações formais.

Apenas porque se ouvem, e/ou lêem com gosto.