(O poeta é aquele
que,
anónimo,
se vai escrevendo
sem que o vejam
sentado
de caneta em
punho.)
Há quem se
escreva para gastar o ego.
Noto uma certa
urgência em gastar palavras, soltas
Tontas,
Fracas,
Mortas.
Numa ansiedade
grotesca de alimentar a estima
Com auto-estima
Que esgrima
A rima
De um verso em
pó.
Gente (,) só.
De garganta vazia
de Universo
Com a profundidade
vaga
De quem caga um
verso
E pontua um texto
Sem sexto
Sentido.
Fodido…
Prefiro-me nos
intervalos
Daqueles que
duram espaços
Entre o respirar
O ar
Em mar
Por dentro.
Não gasto
palavras, não!
Escondo-as
Ali atrás.
E nos intervalos
Vou construindo pontes
De versos nossos;
Meus
E de quem está.
