quinta-feira, 28 de junho de 2007
ACTO IX
Um jovem enojado do mundo e das suas futilidades, antes de se deitar nos trilhos da linha férrea onde o comboio o ia cortar em dois, tirou os sapatos, colocou-os sobre a relva, pensando que poderiam servir a alguém.
Erro de lógica:
Se o mundo é tão fútil ao ponto de sugerir o suícidio, não merece que se lhe deixe em herança um par de sapatos;
e, se no mundo, há uma pessoa, uma única, merecedora de um par de sapatos, ainda há no mundo alguém por quem vale a pena viver.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
ACTO VIII
(Dica: premir o botão "play" do vídeo, e ler este excerto de mim acompanhado da música.)
Reparo que a Humanidade está cansada de viver.
Está «carregada de dias».
Sente a atracção da tumba.
O Mundo inteiro está doente.
Os Homens abandonam-se ao caos.
O Homem já é como todos os outros animais;
do insecto ao boi;
da lagosta ao elefante,
cujo destino inevitável é NÃO morrer de morte natural.
E posto isto, deveria dar um título a estas pequenas notas. Talvez copie um das crónicas de sangue dos jornais - "Crime ou Suicídio?" - O que me parece menos grave do que roubá-lo a Dostoievsky:
Crime (dos pais) e Castigo (dos filhos).
Creio que nada mais me compete do que concordar com a conclusão brilhante de Jorge Bucay de que só não destruimos a vida mais depressa, porque ocupamos o tempo com a nossa própria estupidez.
Há pessoas que não pagam impostos, porque - que diferença faz?!
Há pessoas que não são amáveis, porque - quem vai reparar?!
Há pessoas que são mal-educadas, porque - ninguém quer ser o único idiota à face da terra!
Há pessoas que não se divertem, porque - é ridículo rir sozinho.
Há pessoas que só dançam numa festa, porque - houve alguém que começou a dançar primeiro.
E nós só não somos mais estúpidos, porque - não temos mais tempo...
Reparo que a Humanidade está cansada de viver.
Está «carregada de dias».
Sente a atracção da tumba.
O Mundo inteiro está doente.
Os Homens abandonam-se ao caos.
O Homem já é como todos os outros animais;
do insecto ao boi;
da lagosta ao elefante,
cujo destino inevitável é NÃO morrer de morte natural.
E posto isto, deveria dar um título a estas pequenas notas. Talvez copie um das crónicas de sangue dos jornais - "Crime ou Suicídio?" - O que me parece menos grave do que roubá-lo a Dostoievsky:
Crime (dos pais) e Castigo (dos filhos).
Creio que nada mais me compete do que concordar com a conclusão brilhante de Jorge Bucay de que só não destruimos a vida mais depressa, porque ocupamos o tempo com a nossa própria estupidez.
Há pessoas que não pagam impostos, porque - que diferença faz?!
Há pessoas que não são amáveis, porque - quem vai reparar?!
Há pessoas que são mal-educadas, porque - ninguém quer ser o único idiota à face da terra!
Há pessoas que não se divertem, porque - é ridículo rir sozinho.
Há pessoas que só dançam numa festa, porque - houve alguém que começou a dançar primeiro.
E nós só não somos mais estúpidos, porque - não temos mais tempo...
Subscrever:
Mensagens (Atom)