quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Acto XXVII



Resumindo,

No seguimento de um cabo da GNR mandar o seu superior para o caralho, no tribunal
Concluíram que há contextos em que a utilização da expressão não é ofensiva, mas sim um modo de verbalizar estados de alma.
e portanto, o
Tribunal da Relação de Lisboa, encerrou o caso: o cabo não deve ser julgado, porque a expressão utilizada é um "um sinal de mera virilidade verbal".




Hoje o dia está a ser estranho.

Para além do Google Maps mandar as pessoas, que queiram ir da China a Taipei, nadar no Oceano Pacífico e seguir em frente, leio esta notícia no DN com algum espanto.
Chamem-me retrógrada, mas ainda que a palavra «caralho» seja no fundo uma adaptação desagradável de um termo que era usado em outros contextos mais interessantes, hoje em dia não passa de um "palavrão", ou, melhor, de uma forma de expressão. Assim sendo, não será mau demais saber-se que um agente de autoridade foi ilibado ao ter mandado um superior para o dito cujo?
É que assim, qualquer um de nós pode mandar os patrões para o "sítio" mais velho! É pura virilidade verbal...

Abrem-se precedentes, ou erradica-se a sujidade de certas palavras (tão nossas)??

Decidam vocês.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Acto XXVI

Com o passar do tempo, há dois sentimentos que desaparecem: a vaidade e a inveja. A inveja é um sentimento horrível.
Ninguém sofre tanto como um invejoso. E a vaidade faz-me pensar no milionário Howard Hughes. Quando ele morreu, os jornalistas perguntaram ao advogado: «Quanto é que ele deixou?» O advogado respondeu: «Deixou tudo.»
Ninguém é mais pobre do que os mortos.



Pois é António.... pois é...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Acto XXV




A vida é tão curta, e nós somos tão pequenos
que não vale mesmo a pena gastar tempo com o que não nos faz feliz.


Os males vêm sempre por bem.

domingo, 17 de outubro de 2010

Acto XXIV

You know once I start I cannot help myself...




Há minutos em que não consigo parar de te ver em mim,
ainda que não te cá tenha por perto,
e perto é onde quero estar,
longe de tudo e todos.

Serei contigo a liberdade escondida em mim,
quanto mais não seja por um segundo,
no qual tudo já foi dito e escrito,
ainda que tudo esteja por dizer?

Mesmo que seja pouco,
quero mais enquanto tu me quiseres.
Queiras ou não, quero a loucura
de te agarrar e beijar com força.

Sufocando no meu pescoço,
quero ter-te e fazer-te meu.
Por um instante consumir-te,
possuir-te até ser dia.

E como-te novamente os lábios,
até que o mundo morra só hoje,
dizer-te ao ouvido que amanhã é nunca,
voltando a mim enquanto é tempo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Acto XXIII

Fazer das coisas fracas um poema.




Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.

Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.



Fernando Namora

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Acto XXII

Se um dia eu fosse como tu, não seria feliz.



É porque tentar ser o que não se é, faz-nos tristes - naqueles momentos de almofada;
nas tais ruas despidas de gente,
sem som nem fúria,
só vento e pedras da calçada,
onde as ranhuras se preenchem com beatas,
e o céu parece cada vez maior.

É nesse silêncio que nós sabemos ser aquilo que não somos num som vadio.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Acto XXI

Nós gastamos a vida a queixar-nos
Poderia dizer que é típico dos portugueses queixarem-se por tudo e por nada…
…mas isso seria demasiado redutor.

Não…
Somos mesmo todos nós.
Todos nós gastamos a vida a queixar-nos de alguma coisa.

Ainda hoje, ao descer a rua, a caminho da minha rotina social e democrática,
duas senhoras de idade
(reformadas, pois)
que passam a vida nas praças e mercados municipais
(às compras, claro)
encontraram-se numa ruela,
como se não se vissem há muito tempo
(ainda que tivessem tomado o pequeno-almoço juntas há umas horas).



- Olá vizinha! Que dia bonito, este, hein?!

Ao que a outra responde

- Esta noite não passei nada bem…



Porque será que a resposta a um mero: Que dia bonito, este, hein?!, é na maioria das vezes: Ah, hoje não estou muito bem… Veja lá que o meu marido, etc, etc, etc…?
Penso que é uma necessidade que nos é inerente, esta - a de nos queixarmos, sempre, de alguma coisa.

Mas se analisarmos bem, poderemos concluir que o acto de nos queixarmos é também o assumir que ser-se feliz e ter uma vida perfeita nos incomoda até …

E porque raios a haveria de nos incomodar?!


É que ser-se feliz e perfeito não é ser-se interessante.






(«A felicidade está fora da felicidade» – Fernando Pessoa)

sábado, 25 de setembro de 2010

Acto XX

WE DON'T CARE WHAT YOU THINK!






«Há pessoas muito estúpidas.»

Morrem e nascem, renascendo aqui e acolá, em frases soltas de quem acha que é génio.

«Merda.»
Eu pensei que já tivessem morrido.

Essa gente feita de mentiras e aldrabices,
fingimento e coscuvilhices,
que nunca são o que mostram ser.

Gentalha imunda cheia de capas,
feitas do lixo que foram colhendo
ao longo dos anos que gastaram em casa
atrás de um computador.

Gente nojenta
como água barrenta
que ofende e insulta
sem vergonha na boca.


Gente que ao sair de casa
cai de olhos e cabeça no chão.





Nunca fui, nem serei melhor que ninguém. Apenas diferente. Porque ninguém é igual.
Vou voltando, em jeito de Pitigrilli,
reconhecendo que por vezes sou ácida como o vinagre.



sexta-feira, 11 de junho de 2010

Acto XIX

Antes de escorregares na inconsciência,
gostava de te beijar outra vez.


Um outro beijo.
Um novo beijo.


Pode ser?



Voltarei, sim.