quinta-feira, 12 de julho de 2012

Acto XXXIX


Normalmente o taciturno é que mais jorra sensatez. 
E de mim falo, sim,
sem rei nem pena,
porque este (meu) equilíbrio ampara-me nos tropeços.


Sou retirada, absorta, e muitas vezes indiferente.
De tudo isto somos todos (um) pouco,
porque o silêncio molesta e dá conta do fingimento.
Numa sala, com três ou quatro,
nada é como na rua em marcha.
Os artifícios que nos tornam infiéis
são ferramentas de um restar aqui, 
neste mundo c(abr)ão.


Não sou pessimista, não! Sou pensativa,
nesta cadeira ao lado de quem está à janela,
e vou vendo passar o tempo entre as pérfidas senhoras da Efectividade
que expurgam veneno na esperança de me verem pender. 


Não pendo. Sorrio. 
Vou cuspindo palavras escolhidas a dedo...


Há que discernir. E isto nunca foi um conselho.
É a lei do sobrevivente,
e não do subvivente, como diz o dizer.
É que nesse lugar-comum sou a primeira a infringir a lei.