segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Acto XXV
A vida é tão curta, e nós somos tão pequenos
que não vale mesmo a pena gastar tempo com o que não nos faz feliz.
Os males vêm sempre por bem.
domingo, 17 de outubro de 2010
Acto XXIV
You know once I start I cannot help myself...
Há minutos em que não consigo parar de te ver em mim,
ainda que não te cá tenha por perto,
e perto é onde quero estar,
longe de tudo e todos.
Serei contigo a liberdade escondida em mim,
quanto mais não seja por um segundo,
no qual tudo já foi dito e escrito,
ainda que tudo esteja por dizer?
Mesmo que seja pouco,
quero mais enquanto tu me quiseres.
Queiras ou não, quero a loucura
de te agarrar e beijar com força.
Sufocando no meu pescoço,
quero ter-te e fazer-te meu.
Por um instante consumir-te,
possuir-te até ser dia.
E como-te novamente os lábios,
até que o mundo morra só hoje,
dizer-te ao ouvido que amanhã é nunca,
voltando a mim enquanto é tempo.
Há minutos em que não consigo parar de te ver em mim,
ainda que não te cá tenha por perto,
e perto é onde quero estar,
longe de tudo e todos.
Serei contigo a liberdade escondida em mim,
quanto mais não seja por um segundo,
no qual tudo já foi dito e escrito,
ainda que tudo esteja por dizer?
Mesmo que seja pouco,
quero mais enquanto tu me quiseres.
Queiras ou não, quero a loucura
de te agarrar e beijar com força.
Sufocando no meu pescoço,
quero ter-te e fazer-te meu.
Por um instante consumir-te,
possuir-te até ser dia.
E como-te novamente os lábios,
até que o mundo morra só hoje,
dizer-te ao ouvido que amanhã é nunca,
voltando a mim enquanto é tempo.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Acto XXIII
Fazer das coisas fracas um poema.
Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.
Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.
Fernando Namora
Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.
Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.
Fernando Namora
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Acto XXII
Se um dia eu fosse como tu, não seria feliz.
É porque tentar ser o que não se é, faz-nos tristes - naqueles momentos de almofada;
nas tais ruas despidas de gente,
sem som nem fúria,
só vento e pedras da calçada,
onde as ranhuras se preenchem com beatas,
e o céu parece cada vez maior.
É nesse silêncio que nós sabemos ser aquilo que não somos num som vadio.
É porque tentar ser o que não se é, faz-nos tristes - naqueles momentos de almofada;
nas tais ruas despidas de gente,
sem som nem fúria,
só vento e pedras da calçada,
onde as ranhuras se preenchem com beatas,
e o céu parece cada vez maior.
É nesse silêncio que nós sabemos ser aquilo que não somos num som vadio.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Acto XXI
Nós gastamos a vida a queixar-nos
Poderia dizer que é típico dos portugueses queixarem-se por tudo e por nada…
…mas isso seria demasiado redutor.
Não…
Somos mesmo todos nós.
Todos nós gastamos a vida a queixar-nos de alguma coisa.
Ainda hoje, ao descer a rua, a caminho da minha rotina social e democrática,
duas senhoras de idade
(reformadas, pois)
que passam a vida nas praças e mercados municipais
(às compras, claro)
encontraram-se numa ruela,
como se não se vissem há muito tempo
(ainda que tivessem tomado o pequeno-almoço juntas há umas horas).
- Olá vizinha! Que dia bonito, este, hein?!
Ao que a outra responde
- Esta noite não passei nada bem…
Porque será que a resposta a um mero: Que dia bonito, este, hein?!, é na maioria das vezes: Ah, hoje não estou muito bem… Veja lá que o meu marido, etc, etc, etc…?
Penso que é uma necessidade que nos é inerente, esta - a de nos queixarmos, sempre, de alguma coisa.
Mas se analisarmos bem, poderemos concluir que o acto de nos queixarmos é também o assumir que ser-se feliz e ter uma vida perfeita nos incomoda até …
E porque raios a haveria de nos incomodar?!
É que ser-se feliz e perfeito não é ser-se interessante.
(«A felicidade está fora da felicidade» – Fernando Pessoa)
Poderia dizer que é típico dos portugueses queixarem-se por tudo e por nada…
…mas isso seria demasiado redutor.
Não…
Somos mesmo todos nós.
Todos nós gastamos a vida a queixar-nos de alguma coisa.
Ainda hoje, ao descer a rua, a caminho da minha rotina social e democrática,
duas senhoras de idade
(reformadas, pois)
que passam a vida nas praças e mercados municipais
(às compras, claro)
encontraram-se numa ruela,
como se não se vissem há muito tempo
(ainda que tivessem tomado o pequeno-almoço juntas há umas horas).
- Olá vizinha! Que dia bonito, este, hein?!
Ao que a outra responde
- Esta noite não passei nada bem…
Porque será que a resposta a um mero: Que dia bonito, este, hein?!, é na maioria das vezes: Ah, hoje não estou muito bem… Veja lá que o meu marido, etc, etc, etc…?
Penso que é uma necessidade que nos é inerente, esta - a de nos queixarmos, sempre, de alguma coisa.
Mas se analisarmos bem, poderemos concluir que o acto de nos queixarmos é também o assumir que ser-se feliz e ter uma vida perfeita nos incomoda até …
E porque raios a haveria de nos incomodar?!
É que ser-se feliz e perfeito não é ser-se interessante.
(«A felicidade está fora da felicidade» – Fernando Pessoa)
Subscrever:
Mensagens (Atom)