quarta-feira, 5 de março de 2014

Acto LVI



vivo por entre pedras em cima de tijoleiras mortas

faz-me lembrar Portland Street quando nevava a potes
de ouro branco


(fugi de mim para me encontrar e mal sabia eu quem poderia vir a ser.)


os anos são uma fuga do tempo que nos atormenta a sabedoria
que nunca teremos sem que a mente se contente com o espectáculo da vida.


(li algures que se é morto sem paixões por coisa nenhuma...
antes viva, mesmo que morta.)


abro a boca para soltar aquele riso que ninguém conhece a profundidade de
e mesmo assim sei que a profundeza da profundidade é semítica, comparada com a estatística
de gente que não se entrega às sensações
só às desilusões
porque é mais fácil esperar por,
desesperar e
angustiar, pois
a jornada do momento assusta.


prefiro uma vida de solidão a rir
do que um amor murcho no silêncio.