segunda-feira, 25 de junho de 2012

Acto XXXVIII


O Bernardo Sassetti formulava, insanamente, uma linguagem que fosse comum entre a música Jazz e a música Clássica – deixando a improvisação de lado, mas fundindo a composição com a orquestração.

Ouvi-o eu ontem, numa entrevista de há 10 anos atrás.









Tive então a honra de ser escolhida pela Arte Sonora, para escrever um artigo para a revista, sobre a vida e obra do Bernardo.

«Não consigo» - pensei eu - «é demasiada coisa que eu desconheço.»

Verdade seja dita, senti-me pequenina, do tamanho de um Ré Menor. Mas não daqueles Rés Menores de um Scarlatti, ou de um Bach…. É mais como o Christopher Guest dizia, no seu papel em«This is Spinal Tap»o Ré Menor é a mais triste das tonalidades.

E eu senti-me assim, triste. 

Triste por ser sempre isto; esta mesma merda de só darmos conta do que perdemos depois das coisas desaparecerem. Triste, porque há quem hoje escreva muitas palavras bonitas, palavras sem fim sobre o Bernardo… mas na verdade, ninguém lhe conhecia a obra. Ninguém lhe conhecia a insanidade, a genialidade…. Portanto, ninguém lhe conheceu a morte. (ainda!)

Transformei-me então num pingo de suor, enlouquecendo em frente a um documento Word sem qualquer ponta de raciocínio. Procurei, li, pesquisei.... até que me perdi no Motion... e dali não saí mais. 
Senti-me fraca por não saber ouvir. Por não saber entender. Por não saber mais do que achava ser suficiente.

Perdi-me no meu perder-me, ali. 

E quando dei conta… a conclusão era óbvia. «Não é possível resumir num artigo a obra deste homem. Nem sequer é possível escrever num artigo a importância que ele tem na música. E ainda bem. É sinal que é infinito.»

Movimento infinito, é o Bernardo. E ninguém sabe nada sobre ele.

O meu artigo está publicado, na Arte Sonora que já se encontra nas bancas. Se puderem folheá-la, peço-vos que absorvam onde quero chegar: é que o infinito não se conhece. Assusta-nos.

E tal como ele, houve, há e haverão muitos artistas que nos assustam. Nós próprios, o podemos fazer. E não será prioritário que nos idolatrem, que nos (re) conheçam. Porque o  Universo ... está-nos na garganta.









sexta-feira, 1 de junho de 2012

Acto XXXVII

(A Valsa dos Sentados)

















Naquele dia apeteceu-me o Sol


Estava fechada, por dentro, em Mi(m), e sabia que o vento assobiava-te ao ouvido.
Queria contar-lhe um segredo, sem abrir a janela, para que chegasse, , intacto.
Mas não. 
Fiquei quieta. 
Ouvindo os (com)passos. 


(Ré-Fá- Ré-Fá… Fá-Ré…)



E nesta música de nós em pontas, dançamos hoje a valsa dos sentidos. 
A valsa dos sentados …


… quando me dizes Si(m) sem .