segunda-feira, 30 de julho de 2007
ACTO XI
"-Não há nada mais horrendo do que uma gravata castanha sobre uma camisa violeta."
De acordo: violeta e castanho não combinam.
Contudo, esse «não há nada mais horrendo» é o índice de uma vulgaridade mental, pela qual se explica todo o mundo da mediocridade, formado por frases repetidas sem análise; de pensamentos não elaborados; de opiniões adoptadas sem discussão.
Educados nos fáceis heroísmos verbais, «dizem o que lhes vem à cabeça». E quando o dizem, a vilania com que o fazem não compromete nem sequer uma gratificação, um prémio ou um aperitivo. Não sabendo expressar um juízo com delicadeza, invocam a fórmula «eu sou sincero».
Ora, sinceros todos somos. Delicados, nem por isso.
Faz lembrar Clemenceau, que tendo de votar em público entre dois políticos que lhe eram completamente indiferentes, pôs de lado aquele que lhe disse «Você está a criar uma barriga feia». Não lhe seria uma ofensa grave, decerto. Mas a inconveniência de tal comentário ficou-lhe como uma cicatriz, no sítio que todos temos cá dentro.
Ferir com palavras é um crime medíocre.
E, se de Éden a Humanidade evoluiu para um isto; é o Éden que se culpa, certo?...
domingo, 22 de julho de 2007
ACTO X
Entrei numa livraria.
Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida.
Não chegam.
Não duro nem para metade da livraria.
Nisto chego à conclusão de que sou o resultado consciente da minha própria experiência.
Olho à minha volta; pessoas.
As pessoas multiplicam-se a olhos vistos. Porém, as paredes que as envolvem estão nuas como os seus muros; como um livro aberto sem nenhuma história para o se ler e/ou fixar.
As pessoas são telas. A maioria, por pintar.
De facto, AS PESSOAS QUE EU MAIS ADMIRO SÃO AQUELAS QUE NUNCA ACABAM.
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