quarta-feira, 6 de junho de 2007

ACTO VIII

(Dica: premir o botão "play" do vídeo, e ler este excerto de mim acompanhado da música.)



Reparo que a Humanidade está cansada de viver.
Está «carregada de dias».
Sente a atracção da tumba.

O Mundo inteiro está doente.

Os Homens abandonam-se ao caos.

O Homem já é como todos os outros animais;
do insecto ao boi;
da lagosta ao elefante,
cujo destino inevitável é NÃO morrer de morte natural.

E posto isto, deveria dar um título a estas pequenas notas. Talvez copie um das crónicas de sangue dos jornais - "Crime ou Suicídio?" - O que me parece menos grave do que roubá-lo a Dostoievsky:

Crime (dos pais) e Castigo (dos filhos).


Creio que nada mais me compete do que concordar com a conclusão brilhante de Jorge Bucay de que só não destruimos a vida mais depressa, porque ocupamos o tempo com a nossa própria estupidez.

Há pessoas que não pagam impostos, porque - que diferença faz?!

Há pessoas que não são amáveis, porque - quem vai reparar?!

Há pessoas que são mal-educadas, porque - ninguém quer ser o único idiota à face da terra!

Há pessoas que não se divertem, porque - é ridículo rir sozinho.

Há pessoas que só dançam numa festa, porque - houve alguém que começou a dançar primeiro.

E nós só não somos mais estúpidos, porque - não temos mais tempo...

4 comentários:

  1. Crime e Castigo! hehehe!

    Este texto deixou-me a pensar...e quando isso acontece é sinal que é nada mais que um bom texto.

    O Homem já é como os outros animais, "cujo destino inevitável é NÃO morrer de morte natural", é sem dúvida uma realidade grotesca proveniente da tal estupidez.

    Sim, Liliana. Nós somos muito estúpidos. Somos tão estúpidos, que nos acomodamos ao vício de sobreviver, matando.

    Continua, por favor.

    ResponderEliminar
  2. No fundo... o que salva o mundo... é sermos mortais! :)=

    Dark kiss.

    ResponderEliminar

Escreve, escreve, bandido