segunda-feira, 30 de julho de 2007
ACTO XI
"-Não há nada mais horrendo do que uma gravata castanha sobre uma camisa violeta."
De acordo: violeta e castanho não combinam.
Contudo, esse «não há nada mais horrendo» é o índice de uma vulgaridade mental, pela qual se explica todo o mundo da mediocridade, formado por frases repetidas sem análise; de pensamentos não elaborados; de opiniões adoptadas sem discussão.
Educados nos fáceis heroísmos verbais, «dizem o que lhes vem à cabeça». E quando o dizem, a vilania com que o fazem não compromete nem sequer uma gratificação, um prémio ou um aperitivo. Não sabendo expressar um juízo com delicadeza, invocam a fórmula «eu sou sincero».
Ora, sinceros todos somos. Delicados, nem por isso.
Faz lembrar Clemenceau, que tendo de votar em público entre dois políticos que lhe eram completamente indiferentes, pôs de lado aquele que lhe disse «Você está a criar uma barriga feia». Não lhe seria uma ofensa grave, decerto. Mas a inconveniência de tal comentário ficou-lhe como uma cicatriz, no sítio que todos temos cá dentro.
Ferir com palavras é um crime medíocre.
E, se de Éden a Humanidade evoluiu para um isto; é o Éden que se culpa, certo?...
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:)
ResponderEliminarExcelente crónica. Digna de tirar o trono asqueroso de Paulo Coelho de todas as revistas que lh dão páginas a eito!
Eterna, Li. Eterna!
(parece-me bem que não podes parar de escrever agora...senão o amadurecimento estagna - e não pode, jamas!)
ass: quem te quer bem.
...
ResponderEliminarMuito obrigada pelo comentário...intenso.
Tentarei não parar, claro.
Grata**