Nós gastamos a vida a queixar-nos
Poderia dizer que é típico dos portugueses queixarem-se por tudo e por nada…
…mas isso seria demasiado redutor.
Não…
Somos mesmo todos nós.
Todos nós gastamos a vida a queixar-nos de alguma coisa.
Ainda hoje, ao descer a rua, a caminho da minha rotina social e democrática,
duas senhoras de idade
(reformadas, pois)
que passam a vida nas praças e mercados municipais
(às compras, claro)
encontraram-se numa ruela,
como se não se vissem há muito tempo
(ainda que tivessem tomado o pequeno-almoço juntas há umas horas).
- Olá vizinha! Que dia bonito, este, hein?!
Ao que a outra responde
- Esta noite não passei nada bem…
Porque será que a resposta a um mero: Que dia bonito, este, hein?!, é na maioria das vezes: Ah, hoje não estou muito bem… Veja lá que o meu marido, etc, etc, etc…?
Penso que é uma necessidade que nos é inerente, esta - a de nos queixarmos, sempre, de alguma coisa.
Mas se analisarmos bem, poderemos concluir que o acto de nos queixarmos é também o assumir que ser-se feliz e ter uma vida perfeita nos incomoda até …
E porque raios a haveria de nos incomodar?!
É que ser-se feliz e perfeito não é ser-se interessante.
(«A felicidade está fora da felicidade» – Fernando Pessoa)
Verdaaaades... Passamos a via a lamentar tudo e mais alguma coisa!
ResponderEliminarSomos mesmo assim.
Acho que o facto de nos lamentarmos faz parte do nosso sistema de auto-defesa. O constante queixume relembra-nos do que passamos habitualmente, do que já passámos e que, na verdade, somos fortes que chegue para aguentar. Também serve para tentarmos procurar esse reconhecimento nos outros, para que eles valorizem aquilo por que passamos. Normalmente só serve para dar oportunidade aos outros para também debitar o seu próprio rol de desgraças corriqueiras. Mas continuamos a tentar. E esperar pela estátua que tarda em aparecer...
ResponderEliminarCatarina... que surpresa!
ResponderEliminar(vou já ler as tuas coisinhas, pois)
Sim, concordo contigo. Somos um posso de queixume, que no final das contas serve como bode expiatório para uma qualquer 2ª intenção.
Somos feitos disso, e é sempre pensá-lo, escrevê-lo, e satirizar a questão.
Vai aparecendo!
Pois é, este nosso povo queixa-se muito, e muitas vezes sem razão ou mesmo pelo motivo errado.
ResponderEliminarQueixam-se muito da vida que têm, quando são os primeiros a não fazer nada para a mudar e queixam-se do que não têm, quando ao lado outros têm muito menos e de pouco ou nada de queixam.
A felicidade nunca existe por muito tempo, o que existe é uma sensação temporaria de vitoria, de que finalmente atingimos o objectivo, um bem estar inexplicável quando satisfazemos os nossos quereres, os nossos desejos, mas esse bem estar passa rápido e logo logo estamos a procura da dita felicidade noutros sítios, noutras pessoas ou mesmo em objectos.
A meu ver, um homem dito completamente feliz é um homem que não tem rumo, porque no ter tudo o que o faz feliz, fica sem qualquer perspectiva de continuar a busca por algo melhor... o louco pensa assim.
PS: Já me ia esquecendo que o Blog não é meu.. não sei ser sucinto amiga :)Beijinho