quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Acto XXIX





Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.






Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'






(Tenho estado em mim, com muitas coisas em meu redor. Mas volto. Em breve.)

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