quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Acto XLIV






(O poeta é aquele que,
anónimo,
se vai escrevendo
sem que o vejam sentado
de caneta em punho.)








Há quem se escreva para gastar o ego.
Noto uma certa urgência em gastar palavras, soltas
Tontas,
Fracas,
Mortas.


Numa ansiedade grotesca de alimentar a estima
Com auto-estima
Que esgrima
A rima
De um verso em pó.



Gente (,) só.

De garganta vazia de Universo
Com a profundidade vaga
De quem caga um verso
E pontua um texto
Sem sexto
Sentido.




Fodido…





Prefiro-me nos intervalos
Daqueles que duram espaços
Entre o respirar
O ar
Em mar
Por dentro.


Não gasto palavras, não!
Escondo-as
Ali atrás.

E nos intervalos
Vou construindo pontes
De versos nossos;


Meus
E de quem está.






4 comentários:

Escreve, escreve, bandido