Houve uma altura em que cada um tinha tento,
Atento ao que invaderia
Faria e poria
O próximo numa situação de comoção
Interior.
Uma altura em que o espaço
Em compasso
De espera
Servia para reflectir e discernir
O que dizer para não invadir
Egos alheios.
Mas hoje há um falso direito,
A preceito de quem quer dar uma lição
Porque tem sempre uma opinião
Sobre a vida dos outros
Na mesa de café....
Num ambiente social
Nao calha nada mal
Falar sobre o que ele ou ela estão a fazer mal.
Já não é estranho invadir o espaço
Nem sequer sentir embaraço
Em soltar verborreia morta.
Não há passos atrás
No que se faz ouvir
Em perspectivas de quem calado escuta.
Não há intervalos na respiração
De quem debita opinião
Sobre o tolo, em disputa.
Hoje há, sim,
liberdade na ponta da língua.
Liberdade para quem nunca soube o que isso não é.
Há também vontade de sobressair
Fazer rir, sorrir, distrair
À conta do fraco que se deixa atingir.
Linhas ténues... invisíveis.
Que separam o humor do amor
A liberdade da amizade
O carinho do mesquinho.
A maldade da honestidade.
A tal capacidade da incapacidade
de amar
o próximo...
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Escreve, escreve, bandido