quinta-feira, 9 de maio de 2013

Acto XVLVI






Há uma certa náusea que me causa um estrago em (dó) sustenido, neste fôlego cansado de tanto sentir.
Por vezes apetece-me absorver o egoísmo.

Sim.


Apetecem-me paredes de vidro, daquele vidro que se deixa ver de dentro para fora, fumado a quem passa do lado de lá do mundo.
Apetecem-me muros no meu quintal, onde as flores são daquelas quase verdadeiras, das que fazem ouvir elogios de quem só olha.
Apetecem-me cercas de arame farpado, que na escuridão da noite se tornam invisíveis permitindo assim a luz de um sangue qualquer.
Apetece-me a minha casa. Seja ela qual for.

Sim.


Há uma certa náusea que me causa um estrago absurdo... que me racha a alma ao meio e me faz sentir inerte, dormente e morta.
Precisamente – nessa dormência – aí, nesse quarto fechado! Nessa tépida demência, nesse silêncio maldito, abafado! É aí!

Que partimos os vidros.
Que trepamos os muros.
Que destruímos as cercas.
Que saímos de casa...

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Escreve, escreve, bandido