sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Acto LI




INSTRUÇÕES: Carregar "play" no vídeo acima. Ouvir só. Começar a ler a partir do minuto 2:00. 




Procuro
por um Deus meu
E pergunto-me...
o que é feito do teu...?





... dizem que há dores por aí enfiadas em caixas de chocolates ou em palavras escritas em cartões de amor. 
Mas também existem dores dentro de quatro paredes com fotografias onde a mãe cozinha o almoço de Domingo e a única ligação é o assado no forno dos almoços semanais. 
Fora as dores de taparmos as feridas com pessoas a vulso numa clausura emocional de quem quer acreditar que aquilo é verdade

isto é verdade, isto é verdade, isto é verdade, isto é verdade, isto é verdade


mas não é, 
e as pessoas a vulso sabem  
mas vão ficando até darem cabo de mim. 

Que segurança, meu deus? 
Que segurança em mim teria quando tanta gente me foi passando  
e eu não agarrei ninguém sabendo
que não era suposto ficarem cá!?




Procuro-te, deus meu.
Mas diz-me primeiro: o que é feito do teu?





4 comentários:

  1. Minha querida... mataste-me.

    Excelente!

    Mónica Santos

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  2. O Lobo Antunes fez-te bem menina.
    Estás no melhor dos caminhos. Escreves o ser humano de uma forma assustadoramente crua. Continua!

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Escreve, escreve, bandido