Li numa carta alheia a história do meu dia d'ontem.
Não era uma carta de amor,
nem tão pouco de despedida,
era uma carta sentida
a quem o sentido da vida
dorida e perdida
era igual ao meu.
(A quem no interstício entre dores de vida
o sentido sentiu-se
e decidiu des-sentir.)
O meu sentido perdeu-se
ontem.
Um dia ele volta a aparecer,
como quem teima em desaparecer
fugazmente,
e finge ser gente
dentro de gente
(e repito-me!)
efemeramente
e transversalmente
a todos os anos que por mim vão ficando.
Vão-me saíndo pela porta fora
em todos os anos que ficam em mim.
O meu sentido perdeu-se
ontem
mas hoje sei que é
sempre
assim.
(Inspirado na carta de Fernando Pessoa a Mário de Sá Carneiro, 1915, intitulada postumamente, "Dói-me a Vida aos Poucos")

Li Espanca Antunes ;)
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