terça-feira, 1 de abril de 2014

Acto LVII

mudez interior,







Grito para fora
bem dentro
das entranhas que me estranham
a alma
neste dia em que nada me consegue sair.


Fica o grito,
aqui entalado,
e eu sem saber como fazer
para não
(te)
vomitar.


És tão sinistramente cínico,
vazio de cor
(anémico!)
fingidor,
fingindo
tão bem que até parece que a esperança existe,
sem ser só no dicionário.




{e eu questiono-me sobre o que seria de mim
se as (minhas) palavras só existissem no dicionário...}




Se é no dicionário que as palavras te existem,
é em mim que elas significam,
numa definição indefinida,
constrangida e interrompida
pela ausência de brilho
nesse teu vocabulário
morto...

... fechado-trancado,
abafado-intoxicado,
entediado,
desfigurado,
tenebroso,
silencioso
e
ssshhh...
sshh...
sh...





Nunca poderiam existir palavras em nós
neste gélido silêncio
nosso.

Pois é quando tu decides palavrear-te
que eu ensurdeci
já.







1 comentário:

Escreve, escreve, bandido