terça-feira, 21 de outubro de 2014

Acto LIX





As pessoas já não se cortejam. Comem-se.

Vão prolongando a fome numa mendacidade apelidada de amor,
como quem tem a certeza de que esse ensejo é uma verdade interior.

Falso.

Este tipo de coisas denominam-se de sensações aleatórias,
pequenas vitórias em conquistas egoístas
numa extrema fome d'ego masturbatório.
Um petit-gâteau para os imberbes individualistas
pequenas sonhadoras, coristas de um cabaret carnal
consumado numa teia de quimeras, muitas vezes fatal.

Fluidez.

Acontece a toda a gente; sentir o palpitar vulvário
desde criança, fechado no armário, porque não é suposto
cunhar a lealdade, e muito menos saciar a veracidade de um não-amor.
Cheira a frigidez quando a tempestade treme o chão,
e nem por isso deixamos de comer - até que a fome nos separe! - 
porque é mais fácil repetir o prato do que dizer simplesmente "não".

(E já chega!)

A melhor parte de escrever um livro, é meter-lhe um ponto final;
acabemos com esta farsa de tomar o âmago por carnal!
Mas é mais fácil comer-se-a-pronto do que o pé a fundo na espiral.

1 comentário:

Escreve, escreve, bandido