terça-feira, 15 de maio de 2007

ACTO V

Passeio por um caminho solitário.
Desfruto do ar, do sol, dos pássaros
e do prazer de ser levada pelos meus pés
para onde quer que eles me levem.
De um lado do caminho
encontro um escravo a dormir.
Aproximo-me, e descubro o que está a sonhar.
Pelas suas palavras e expressões adivinho...
Sei o que sonha:

O escravo está a sonhar que é livre.

A expressão no seu rosto reflecte paz e serenidade.
Pergunto-me...
Devo acordá-lo e mostrar-lhe que é apenas um sonho,
para que saiba que continua a ser um escravo?
O devo deixá-lo dormir o tempo todo que puder,
desfruntando, nem que seja apenas em sonhos,
da sua realidade fantasiada?


Se o escravo for eu, não hesitem:

Acordem-me, por favor!




1 comentário:

  1. Dou valor a quem prefere apanhar uma desilusão, mas ser alguém consciente, do que os que vivem na ilusão, sorrindo, mas com total ingenuidade, alheios e ignorantes... apesar de perceber quem também prefere estar desse lado.

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Escreve, escreve, bandido