segunda-feira, 19 de março de 2012

Acto XXXIII







Naquele dia ambíguo de cor,
(de dor em nós)
Um pássaro cantou mais alto.
Segundos depois, 

Uma fotografia estranha afundou-me neste poço

Vazio de cor
(de ardor, em mim).



Pensei que a solidão nos unisse.



O relógio antigo batia as zero,
E zero era a cor
(com rancor, em ti).
Horas depois uma náusea eterna
afogou-me num lago de fria dor
(sem amor, em nós)



Pensei que o medo nos unisse.



Fomos tantos, infinitos,
De um para o outro, só, sem treva
(a treva adormecida, em tu'alma).
Acreditei, confiei, e tu
Com pensamentos foste cegando
(coisas tuas, sem ter calma).



Pensei que a verdade era Eu.



Chegou o dia em que me mataste,
E a morte era o vinho
(que bebeste, em ti).
Durante o velório, a minh'alma fugiu
Para o inferno infinito
(que causaste, em mim).





Pensei que não morrêssemos, nunca.









(E teríamos, tanto, se. )









3 comentários:

  1. Que esse mal não te envenene mais. Esse, e qualquer outro que seja. Precisas de ti, mais do que os outros.
    Encontra paz, Li. E serás feliz :)

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  2. Dá-te o sossego daquilo que te é, que te sempre foi. *

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  3. Dani, volta rápido, sim?

    "Anónimo", que o que me é, me dê o sossego que sempre me foi.

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Escreve, escreve, bandido