Nunca tive coragem de ter coragem.
Talvez porque sempre tive medo de ter medo.
Talvez porque sempre tive medo de ter medo.
Engraçado...
Pensava que era a única pessoa neste pêndulo idiota.
Pensava que era a única pessoa neste pêndulo idiota.
Ouviam-se os
passos, descalços, de encontro à janela aberta de uma sala despida de emoções.
São quadros, frios e intercalados por paredes brancas – daquele branco que não
ilumina nada, sem ser o vazio de um ego morto – a par com estantes vazias de
livros.
Há quem diga que
uma casa sem livros é uma laranja sem sumo. (Na
verdade, sou eu que digo isso. Acabei de o pensar.)
Não interessa.
O que interessa é
que nem sequer encontro um motivo para que uma casa tenha de ter livros. Talvez
pelo hábito de os ter nem que seja a ganhar pó na casa da mãe, do avô, da tia,
na minha. Um hábito que me veste o corpo com páginas aleatórias de onde retiro
um excerto qualquer.
Por vezes
acontece.
Olho para um,
respiro-lhe o folhear das páginas e paro na cento e tal.
«Acho que a minha mãe sempre foi fiel à
infidelidade do meu pai, e escolheu a castidade. A castidade da minha mãe era
pior do que a de uma virgem, porque ela conheceu o prazer por alguns meses, e
depois… ele renunciou-a para toda a vida.»
Reinaldo Arenas.
Curioso. Tem sido
assim com o resto da minha vida.
Ouvem-se então os
passos. Descalços.
Tiro os sapatos, e massajo os pés numa banalidade inquieta – num desassossego interior. Olho o relógio e noto que o tempo passa a correr. Corre a passos largos por não ter notícias tuas.
Tiro os sapatos, e massajo os pés numa banalidade inquieta – num desassossego interior. Olho o relógio e noto que o tempo passa a correr. Corre a passos largos por não ter notícias tuas.
Notícias de quê?
De mim, em ti.
Merda! Passamos a
vida nisto. Num turbilhão impetuoso de quem finge saber o que quer
de quem finge dizer o que pensa
de quem finge ser o que sente
de quem finge dizer o que pensa
de quem finge ser o que sente
Quando na verdade
vamos dando passos para trás, com as mãos à frente da cara em desequilíbrios no
escuro de uma casa vazia e sem luz.
Não há luz nesta
sala.
Só existem
pedaços de coisas mortas de uma vida que nunca existiu, num suor frio em pontas
numa corda bamba à beira do abismo.
Tenho a garganta
seca, mas não suporto a ausência de odor na água… prefiro morrer sedenta. Tenho a garganta seca pois sinto os empurrões, cada vez com mais força, e eu vou
caminhando para trás, ao compasso do retrocesso,
dando lugar à simetria,
assassinando a harmonia.
dando lugar à simetria,
assassinando a harmonia.
Como os quadros
frios e intercalados pelo frio das tuas paredes brancas.
Simétricos, mas indolentes.
Esta sala é fria.
E começa a magoar-me o afecto. Preferia não me sentir tão bem nela, por mais
vazia que me faça sentir por vezes.
Subscrevi-te “Nas Entrelinhas” , e nunca mais apareceu nada! Onde está esse blog?
ResponderEliminarreencontrei-te no melhor texto que li nos últimos 2 ou 3 anos, Liliana….
Não caminhes para trás! “Põe-te a andar”! É mais seguro. (Que deja vu de sugestão hehehehe!)
Estou em Lisboa até dia 22, mando-te e-mail com o meu número para bebermos uma cervejita. É que eu não uso a treta do facebook !!!
Beijinhos
Oh! João... :')
ResponderEliminarDeja vu mesmo!!! Obrigada pelas palavras.
"Nas Entrelinhas" está em formato físico :) Publiquei, pela experiência. Depois conto-te tudo!!!
Manda, sim: li.triplicarte@gmail.com
Beijos, mil*
És tão bonita. Por dentro.
ResponderEliminar«Retrovertigo» ;)
:) sejas quem fores,obrigada.Mas sou só eu,
Eliminar~