Marc Chagall
Pela primeira vez senti que não tinha nada a dizer, apenas ouvir, reflectir
na ansiedade de querer falar
entregue ao silêncio
porque argumentar muitas vezes sai caro.
Há conversas que não me pertencem, e nesses instantes dou por mim a entregar-me a um voo de longa duração.
Do meu corpo (a)fora
os pés descolam do chão e lá vou eu embalada na ansiedade
que me atormenta diariamente por não vos sentir.
Por vezes questiono-me se a minha vida não é
na verdade
desenhada dessa forma; uma eterna ansiedade por não sei bem o quê.
Pego na minha caneta mental e masturbo-me numa oratória espiritual
que ninguém dá conta que existe em mim.
E a solidão acaba por ser precisamente isso - um orgasmo que só nós sabemos como atingir, absorver e gritar pelos poros.
Contudo, para lá chegarmos é sempre necessário inspirações
de fora.
É neste ponto que abro os olhos, a dou por mim a aterrar bruscamente.
Lembro-me de Marquês de Sade ter (d)escrito que "o homem está sujeito a duas fraquezas ligadas à sua existência, que a caracterizam. Em toda a parte tem de rezar, em toda a parte tem de amar, e eis a base de todos os romances; fá-los para pintar os seres que implorava, fá-los para celebrar os que amava."
Não sei se concordo. Ou então não nasci para escrever romances.
É que as minhas inspirações e fraquezas são tantas, quantos os silêncios das minhas masturbações mentais expelidas pelas palavras que me corroem quando as não escrevo.

Fogo Liliana... és sempre uma surpresa para mim.
ResponderEliminarEdita, por favor! Sou a primeira a comprar o teu livro.
Beijinho
Caralho! Deixas-me sempre com a lagrimita no olho!
ResponderEliminar(é o marco, parvalhona. mandei-te Pm no face hoje. xau)